A osteoporose não dói — até acontecer uma fratura. É por isso que é conhecida como uma doença silenciosa: perde-se densidade óssea durante anos sem qualquer sintoma, até um pulso partido numa queda simples revelar o problema. Depois da menopausa, o risco aumenta de forma significativa. Este guia explica o que a ciência diz sobre prevenção e rastreio, e o que pode fazer antes de chegar a esse ponto.
O que diz a ciência
Os ossos estão em constante renovação: células destroem osso antigo enquanto outras constroem osso novo. Os estrogénios ajudam a travar essa destruição. Quando os níveis de estrogénio caem na menopausa, a destruição óssea acelera e a construção não acompanha o ritmo — o resultado é perda progressiva de densidade óssea.
A diretriz clínica de 2024 do Reino Unido para prevenção e tratamento da osteoporose, endossada pela International Osteoporosis Foundation e pela ESCEO, e a diretriz australiana de 2024 (RACGP / Healthy Bones Australia) confirmam o mesmo essencial: a osteoporose é altamente prevenível e tratável quando identificada a tempo — mas subdiagnosticada, porque só costuma ser procurada depois de uma primeira fratura.
Uma fratura por fragilidade óssea (por exemplo, o pulso ou a anca, numa queda de pouca altura) é, em si, um sinal de alarme: aumenta muito o risco de uma segunda fratura, e deve levar a uma avaliação da densidade óssea.
Quem está em maior risco
O risco de osteoporose não é igual para todas as mulheres. Fatores que aumentam claramente a probabilidade:
- Menopausa precoce (antes dos 45 anos) ou cirúrgica (remoção dos ovários)
- História familiar de osteoporose ou fratura da anca num dos pais
- Baixo peso corporal ou índice de massa corporal reduzido
- Tabagismo e consumo elevado de álcool
- Uso prolongado de corticosteroides (para asma, doenças autoimunes ou outras condições crónicas)
- Sedentarismo e pouca exposição solar
- Défice de vitamina D ou baixa ingestão de cálcio ao longo da vida
- Doenças que afetam a absorção intestinal, como a doença celíaca
Ter mais do que um destes fatores aumenta substancialmente o risco — e justifica falar com o médico sobre rastreio, mesmo sem sintomas.
O que pode fazer
- Peça uma densitometria óssea (DXA) se tem 65 anos ou mais, ou antes dessa idade se tiver fatores de risco — é um exame simples, rápido e sem dor.
- Garanta ingestão adequada de cálcio através da alimentação — lacticínios, vegetais de folha verde escura, peixes com espinha (como sardinha em lata).
- Verifique os seus níveis de vitamina D, sobretudo se sai pouco de casa ou tem exposição solar limitada — é fundamental para a absorção de cálcio.
- Pratique exercício de impacto e de resistência — caminhar depressa, subir escadas, exercícios com pesos. O osso fica mais forte quando é estimulado.
- Deixe de fumar e modere o álcool — ambos aceleram a perda óssea.
- Se toma corticosteroides há mais de 3 meses, fale com o médico sobre proteção óssea — é uma das causas mais frequentes de osteoporose secundária.
- Depois de uma primeira fratura por fragilidade, peça sempre avaliação da densidade óssea — é o momento em que a prevenção da próxima fratura é mais eficaz.
Quando consultar o médico
Marque uma consulta para avaliar o risco de osteoporose se:
- Já entrou na menopausa e tem 65 anos ou mais (rastreio de rotina recomendado)
- Teve uma menopausa precoce ou cirúrgica
- Sofreu uma fratura numa queda de baixo impacto, a qualquer idade
- Tem história familiar de fratura da anca
- Toma corticosteroides de forma prolongada
- Notou perda de altura ou alteração da postura (pode indicar fraturas vertebrais silenciosas)
Fontes: NOGG — 2024 UK Clinical Guideline for the Prevention and Treatment of Osteoporosis, endossada pela International Osteoporosis Foundation e ESCEO; RACGP / Healthy Bones Australia — 2024 Guideline for osteoporosis management and fracture prevention in postmenopausal women and men over 50; International Osteoporosis Foundation — IOF-ESCEO Position Paper on osteoporosis management.
Nota de saúde: Este artigo tem fins exclusivamente educativos e informativos. Não constitui aconselhamento médico, diagnóstico nem prescrição. Consulte sempre um profissional de saúde qualificado antes de tomar decisões relacionadas com a sua saúde. Para saber como investigamos e escrevemos os nossos conteúdos, consulte a nossa Política Editorial.
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