Um engasgamento grave pode bloquear a respiração em menos de um minuto. Saber agir nos primeiros segundos pode salvar uma vida — a de um filho, de um pai, de um amigo à mesa. A técnica certa muda consoante a idade: o que funciona num adulto pode ferir gravemente um bebé. Guarde este checklist no telemóvel.
1. Reconheça os sinais e peça já ajuda a alguém
A pessoa não consegue falar, tossir com força nem respirar. Pode levar as mãos à garganta. Se ainda tosse com força, a via aérea não está totalmente bloqueada — incentive a tossir, não intervenha ainda. Se a obstrução parecer grave, peça imediatamente a alguém para ligar 112 enquanto começa a atuar — não espere para ver se a técnica resulta antes de pedir ajuda.
2. Adulto ou criança consciente: comece pelas costas
Incline a pessoa para a frente, apoiando o tórax com uma mão. Dê até 5 pancadas firmes entre as omoplatas, com a base da outra mão. Verifique se o objeto saiu depois de cada pancada.
3. Se as pancadas nas costas não resultarem: compressões abdominais
Fique atrás da pessoa, com os braços à volta da parte superior do abdómen. Feche o punho e coloque-o entre o umbigo e as costelas. Com a outra mão, puxe com força para dentro e para cima. Repita até 5 vezes.
4. Se este primeiro ciclo (5+5) não resolver, confirme que o 112 já foi chamado
Se as 5 pancadas nas costas e as 5 compressões abdominais não desobstruírem a via aérea, isso já é motivo para ter a certeza de que alguém ligou 112 — não é preciso esperar por “várias tentativas”. Continue depois a alternar 5 pancadas nas costas com 5 compressões abdominais até a via aérea desobstruir ou a pessoa perder a consciência.
5. Bebés com menos de 1 ano: técnica diferente — nunca compressões abdominais
Em bebés, as compressões abdominais podem causar lesões internas graves. Coloque o bebé de bruços sobre o seu antebraço, cabeça mais baixa que o tronco, e dê até 5 pancadas firmes entre as omoplatas com a base da mão. Se não resultar, vire o bebé de barriga para cima, apoiado no seu antebraço ou colo, e faça até 5 compressões no centro do peito (esterno). As diretrizes de 2025 do European Resuscitation Council / Resuscitation Council UK atualizaram esta técnica: em vez de comprimir com dois dedos, envolva o tórax do bebé com as duas mãos e comprima com os dois polegares juntos sobre o esterno — a técnica dos “dois polegares”, que substituiu a antiga técnica de dois dedos. Alterne entre pancadas nas costas e compressões torácicas até desobstruir.
6. Se a pessoa perder a consciência
Deite-a no chão com cuidado e comece imediatamente compressões torácicas, como numa reanimação cardiopulmonar (RCP). Chame ajuda ou peça a alguém para ligar 112 sem interromper as compressões. Antes de cada série de insuflações, verifique a boca — só remova o objeto se estiver visível e alcançável.
7. Depois do episódio, procure sempre avaliação médica
Mesmo que o objeto tenha saído e a pessoa pareça bem, as compressões abdominais podem causar lesões internas. Procure o médico ou as urgências para confirmar que está tudo bem, especialmente em crianças e idosos.
Quando agir com urgência
Peça para ligar 112 assim que suspeitar de um engasgamento grave — em paralelo com começar a atuar, não depois de tentar sem sucesso. E ligue (ou confirme que já ligaram) sem falta se:
- O primeiro ciclo de 5 pancadas nas costas + 5 compressões abdominais não resolver a obstrução
- A pessoa perder a consciência
- For um bebé com menos de 1 ano
Nunca deixe a pessoa sozinha para ir procurar ajuda — peça a alguém que ligue enquanto continua a atuar.
Fontes: European Resuscitation Council — Guidelines 2025: First Aid; European Resuscitation Council — Guidelines 2025: Adult Basic Life Support; Resuscitation Council UK — Paediatric Choking Algorithm 2025; Cruz Vermelha Portuguesa — Protocolos de Primeiros Socorros para engasgamento em adultos, crianças e bebés.
Nota de saúde: Este artigo tem fins exclusivamente educativos e informativos. Não constitui aconselhamento médico, diagnóstico nem prescrição. Consulte sempre um profissional de saúde qualificado antes de tomar decisões relacionadas com a sua saúde. Para saber como investigamos e escrevemos os nossos conteúdos, consulte a nossa Política Editorial.
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